domingo, 20 de novembro de 2011

Reencontros parte II


(...) Decidiu tomar um banho, vestir-se e neste meio tempo, treinou mentalmente o que diria ao filho..
A hora chegou..

Caio estava lá, lindo, com um trançado no cabelo que combinava com sua camiseta vermelha. Já parecia um rapazinho!Como crescera!Seu sorriso continuava o mesmo, fazendo covinhas na bochecha que deixava qualquer um apaixonado. Este era seu filho, o filho que há tanto tempo não via e quase deixou para trás. 
Carolina correu ao seu encontro, abraçando-o fortemente, tirando-o do chão e colocando-o em seus braços! Como sentia falta daquele abraço!Daquele sorriso encantador, do seu perfume, do contorno de seu rosto..como sentia falta da vida ao lado dele!
Os dois choraram quando estavam frente a frente, era a alegria invadindo-lhes o coração.
A mãe prometera-lhe que nunca mais ficariam longe um do outro, o que foi respondido com um abraço bem apertado e um beijo estalado na bochecha esquerda.
A vida, enfim, voltaria a circular entre seus poros, sua alegria retornaria aos olhos e em meio a lágrimas, pode compreender o quanto era importante voltar a viver, não apenas por seu filho, mas, principalmente, por si.

sábado, 19 de novembro de 2011

Reencontros parte I

O tempo corria sem voltas e não sabia mais o que fazer. Era a primeira vez que sentia este aperto em seu peito. Era a primeira vez, desde os últimos 2 anos, que reencontraria seu filho.
Não estava confortável com esta situação, pois tantas coisas tinham acontecido desde aquele dia. Carolina bebeu demais aquela noite, por conta da briga que teve com seu marido, estava cansada, exausta de tantas traições, tantas mentiras, tantos desafetos.
Sentou-se no chão do banheiro, pegou todos seus remédios na primeira gaveta e tomou-os. Tomou-os como quem dá um último adeus a sua vida. Como quem não espera mais nada, apenas um alívio no peito. Depois disso foi à geladeira, pegou uma garrafa de vinho que estava lá desde seu aniversário, duas semanas atrás, e brindou sua morte. Brindou não à derrota, mas sim à liberdade!Estaria livre para sempre..
Contudo, as coisas não aconteceram como o esperado! Ricardo voltou ao apartamento para buscar algumas peças de roupa e encontrou-a desmaiada no chão da sala. Tão triste, tão deprimente, tão frágil ela estava agora, e o que ele faria? Sabia muito bem ser o culpado daquela situação, sabia que deveria ter sido sincero com ela, com seus sentimentos.
Ligou correndo pedindo socorro, não sabia o que fazer, mas ajoelhou-se ao seu lado, pedindo à Deus que ela ficasse boa, que um dia a perdoasse, mesmo que não voltasse a viver com ele.
A ambulância chegou, levaram-na as pressas ao hospital e conseguiram trazê-la à vida, mas que vida, perguntava-se ela, inconscientemente?
Lucas, seu filho, tinha apenas 2 anos quando tudo isso aconteceu. Não entendia o sumiço da mãe, que passou por uma série de tratamentos e acompanhamentos, até que estivesse pronta para voltar a viver, para se livrar de uma vez por todas de tudo o que lhe tirava o ânimo, a alma.
Estava com medo, medo que ele não lhe reconhecesse mais, que não quisesse estar com ela..não sabia ao certo como agir, o que lhe dizer..era tão pequeno ainda!
Decidiu tomar um banho, vestir-se e neste meio tempo, treinou mentalmente o que diria ao filho..
A hora chegou..


continua

Primeiro amor II

Ela estava linda naquela manhã, usando um vestido azul, que deixava seus ombros à mostra. Olhei em seus olhos e tive certeza: era a mulher da minha vida.
Saímos de mãos dadas, tentando não olhar muito para as pessoas que nos mediam da cabeça aos pés. Sorrimos um pouco de tudo aquilo, já fazia mais de 2 meses que estávamos longe, e agora nada disso importava!
Nos apaixonamos na época  da faculdade, ela sempre linda, com seu sorriso leve, como quem está sempre de bom humor com a vida e eu, sempre pensando em encontrar um emprego e sair da casa de meus pais.
Sempre me perguntei se nosso namoro daria certo, se tudo não era apenas uma ilusão.
Enquanto caminhávamos lado a lado, pensava em nosso futuro, em nossa família, em nossos sonhos todos, construídos ao longo destes 5 anos. A alegria de estar ao seu lado tomou conta de meu corpo, senti um leve arrepio subindo por minhas costas. Dei-lhe um breve beijo em sua testa, o que ela me respondeu com um suspiro, uma confidência em meu ouvido:
"Eu amo você"

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Natsukashii¹

Natsukashii¹ - nostálgico 


      Sorriu assim que nossos olhares se encontraram, e pensar que já se passou tanto tempo desde a primeira vez que isso aconteceu, daquela vez senti que o tempo havia parado enquanto apreciava seu sorriso, seu olhar, quando percebi o que acontecia senti-me corar, procurei avidamente por um ponto interessante em meus sapatos como desculpa para desviar a vergonha que sentia. Ouvi sua risada abafada e de canto de olho pude ver  um sorriso divertido em seu rosto.
-Ah, natsukashii - foi o que escapou pela minha boca enquanto você observava eu me perder em nossas memórias.
-Ei, oi! Pare de fazer corpo mole e venha me ajudar com essas coisas, elas pesam! -você disse entre uma reclamação e uma risada. Com meu coração aquecido me levantei e fui ao seu encontro.

Himitsu¹

Himitsu¹ Segredo
Himitsu dayo ne?²- É segredo!
Anata ga suki³- Gosto de você


-Shh, himitsu dayo ne?² - você sussurrou, nossos rostos cada vez mais próximos e a curiosidade para conhecer tal segredo crescendo cada vez mais - Anata ga suki!³

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Primeiro amor

Caminhávamos lado a lado nesta manhã. Riamos de tantas histórias, recordações do passado, das loucuras que fazíamos..que alegria invadiu minha alma!
Você me sorriu, pensei em dar-lhe um breve beijo, mas contive-me e também sorri.
Peguei em sua mão, sentindo-a tremer levemente.
Eu sabia o tempo todo!Só demorei a entender.
Eu te amei desde o primeiro dia. E sabia que você também.

Um adeus

Meu coração sangrava por dentro, angustiada, não sabia mais o que fazer.
Estava presa em um sonho ruim, ou a realidade tinha tornado-se tão sombria assim?
Seu telefonema aquela noite me tirou o sono, e desde então não consigo mais dormir..
É incrível o poder que tens sobre mim..o que fazer?É esta pergunta que mais assola minha mente...
Precisarei partir, você me entenderá, pois já há muito tempo me deixou para trás..
Nunca esquecerei seus olhos me fitando através da janela.

sábado, 22 de outubro de 2011

Ichibyou Kiss ¹

Os olhos dele vidrados na televisão acompanhando o filme que já haviam visto diversas vezes a desencorajou a dizer qualquer coisa, não entendia como haviam chegado a tal ponto. Sentou-se ao seu lado em silêncio, o sofá não era grande, mas a distância inconsciente dos corpos era inevitavelmente percebida. Pensamentos perdidos, adjetivos e substantivos que não encontravam um verbo em sua mente permitiam-lhe apenas encarar aquela figura ali tão próxima porém impossível de tocar.


Talvez por sentir-se vigiado ele olhou em sua direção, olhos severos que buscavam respostas. Um beijo rápido dela. Os olhos que ainda buscavam respostas agora demosntravam uma clara surpresa.

-Mou ii yo²!- disse ela encarando-o com firmeza – Por favor...

Ele sorriu como a tempos não fazia, quaisquer que teriam sido os motivos para estarem daquela forma seu coração a muito já esquecera. A resposta que seu lado consciente ordenou que usasse naquele momento morreu antes mesmo de chegar em sua garganta, sem que percebesse já a havia puxado para si.

¹ beijo rápido
² já chega

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Escolhas

O tempo estava passando lentamente aquela manhã. Quando atendeu o telefone, sabia que este dia seria diferente. Vestiu um moletom batido, prendeu o cabelo em um rabo de cavalo e saiu em direção ao parque.
Gostaria de caminhar um pouco, espairecer as ideias e colocar todos seus pensamentos no lugar antes do anoitecer. Pensou em como sua vida vinha sendo tão depressiva nestes últimos tempos.
Tentou recordar a última vez que se divertiu com seus amigos: mal conseguiu se lembrar de quando haviam se encontrado, quem dirá de quando havia se divertido!
Continuou sua caminhada, mas já sentia-se cansada..cansada de tudo, de sua vida, de suas andanças, de suas instabilidades emocionais e do modo como estava encarando sua separação.
Sentou-se em um dos banquinhos, próximo às árvores do parque, onde conseguia ver o lago, as crianças brincando com bola, alguns casais andando no pedalinho.
Ficou pensando em seu último ano, em seu casamento frustrado, em como sentia-se sozinha..não sabia o que era mais doloroso, ter descoberto a traição do marido ou aquela vida vazia que vivia antes disso.
Seus olhos encheram-se de lágrimas, a dor brotava em seus poros, como se todo seu corpo estivesse coberto destes sentimentos cinzas.
Nada ali lhe fazia sentido, mas agora não era mais hora de chorar, pensou ela.
Era o momento exato de ir a luta, de tentar sair deste buraco, antes que se afundasse definitivamente.
O telefone tocou novamente, ela precisava correr para casa, tomar um banho e arrumar-se para este compromisso tão importante.
Acabara de receber uma proposta de emprego, em outro país, para levar o novo produto de sua empresa à filial francesa. Ficaria por lá pelo menos durante 1 ano.
Era talvez a grande oportunidade de sua vida, o tempo ideal para as transformações de que há tanto tempo necessitava. Contudo, não estava segura de que era isso que queria.
Como iria viver tão longe, num país estranho, com uma língua que não lhe era familiar - falava inglês, mas isso não lhe garantiria nada na França - longe de sua casa, de seus filhos.
Pensou nas crianças por um tempo..como tinha sido uma péssima mãe!Já fazia duas semanas que não as buscava na casa da avó, não conseguia tempo para isso, sequer tinha ânimo, estava esgotada.
Qual seria a solução?Como resolver seu futuro, se tudo tão incerto e tão instável lhe assombrava a mente, como fantasmas do passado que teimam em ficar.
Seu coração palpitava, precisava de um tempo, precisava de algo que não conseguia enxergar, precisava abrir sua mente e seu coração para conseguir voltar a viver de verdade.
Chorou na mesa, em meio à reunião!O que lhe importava que lhe vissem tão frágil? O que lhe importava os julgamentos de quem não sabia o quanto sentia-se fracassada e confusa?
Pediu licença e foi ao banheiro, lavou o rosto, e enquanto olhava para o espelho, fitava sua imagem cansada, morna..
O que fazer? O que fazer?
Tentou pensar em uma solução..
Ligou para sua filha, Ane, que estava indo para a casa do pai. Ela já havia completado 13 anos, conseguiria entender suas angústias? Talvez pensasse que não as amasse, talvez entendesse o quanto isso era importante em sua vida.
Ane conversou com a mãe sobre a vida na casa da avó nestes últimos dias, contou o quanto estava empolgada em ir para a casa do pai, pois ele a levaria para a praia, junto com sua irmã mais nova Samanta.
Contou sobre a escola, sobre o novo paquera do 8º ano, sobre as amigas...
Precisava tomar uma atitude, viajar? Ficar? Tentar reconstruir sua vida, sair deste calabouço que construíra com suas próprias mágoas? Abandonar tudo e ter um tempo para si?
Chegou a uma conclusão: precisava viver!E a vida lhe era urgente e cara!
Saiu do banheiro e resolveu: A vida não pode mais esperar.

sábado, 15 de outubro de 2011

Flor

Na beira da estrada, encontrei uma pequena flor, nascendo tão singela, escondida entre o mato alto.
Olhei para o pequeno broto, pensando na grandiosidade da vida que ali estava escondida, latente.
Pensei por alguns segundos em como aquela flor era sortuda, talvez não fosse fácil manter-se viva em condições tão adversas...talvez já tiveram muitas flores, naquele mesmo local, morrido e dado espaço a outras, que também não tinham a mesma sorte desta pequena flor.
Senti um impulso de levá-la comigo, quem sabe colocá-la num vaso, replantá-la no jardim de minha casa.
Olhei em volta, e só existia aquela pequena flor..tão só, mas tão viva e bela.
Senti vergonha dos meus pensamentos, eu, tão solitária neste caminhar, encontrei algo que me deu uma alegria. Mesmo em um meio tão contrário, lá estava ela, pulsando por vida, buscando viver..
Saí de lá com lágrimas nos olhos e a certeza de que precisava me agarrar com todas as forças a este fio de vida que ainda pulsava em meu peito, para ser tão bela como a singela flor do caminho.